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Leitura: Fluxo de migrantes venezuelanos cai pela metade na fronteira de Roraima em 2026
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Tecnologia

Fluxo de migrantes venezuelanos cai pela metade na fronteira de Roraima em 2026

Diego Velázquez
Diego Velázquez
22/07/2026
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4 Min de leitura
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O movimento de entrada de venezuelanos pela fronteira de Roraima registrou uma queda expressiva neste ano. Levantamento do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome mostra que, nos primeiros treze dias de janeiro de 2026, o fluxo de migrantes e refugiados caiu mais de 50% na comparação com o mesmo período de anos anteriores. O dado foi confirmado durante visita do ministro Wellington Dias a Boa Vista, quando ele verificou pessoalmente a situação dos abrigos administrados pela Operação Acolhida.

Contents
Os números por trás da redução no fluxo migratórioO que essa mudança representa para Roraima

Os números por trás da redução no fluxo migratório

De acordo com o monitoramento oficial, em 2026 foram contabilizadas 1.014 entradas de cidadãos venezuelanos pela cidade de Pacaraima, contra 2.121 pessoas registradas em 2025 no mesmo período, praticamente a metade. A tendência de queda já vinha sendo observada nos últimos dois anos, mas ganhou força em um contexto de tensão crescente entre Brasil e Venezuela, alimentada pelo deslocamento de frotas dos Estados Unidos pelo Mar do Caribe e por episódios que culminaram em um bombardeio à capital Caracas, no início de janeiro. Mesmo diante desse cenário, autoridades brasileiras afirmaram que não houve necessidade de acionar planos de contingência adicionais na região de fronteira.

A Operação Acolhida, criada em 2018 para organizar a chegada de refugiados e migrantes vindos da Venezuela, chegou a abrigar 12 mil pessoas simultaneamente em Boa Vista e Pacaraima. Atualmente esse número caiu para cerca de 5 mil abrigados, o que abriu vagas ociosas em torno de 30% nos três abrigos indígenas mantidos na capital roraimense. O general responsável pela coordenação da operação na região reforçou que o foco segue sendo o monitoramento da fronteira e a coibição de entradas irregulares, sem alterações relevantes no efetivo militar destacado para o estado.

O que essa mudança representa para Roraima

A diminuição no ritmo de chegadas tem impacto direto sobre a rotina de serviços públicos em Boa Vista e Pacaraima, cidades que historicamente concentraram a maior parte das solicitações de refúgio no Brasil. Dados do Observatório de Migrações Internacionais indicam que, entre 2015 e 2024, Roraima respondeu por 61,2% de todos os pedidos de abrigo registrados no país, com os venezuelanos representando a esmagadora maioria dos casos. Esse histórico ajuda a explicar por que qualquer oscilação no fluxo migratório repercute imediatamente na gestão de saúde, educação e assistência social do estado.

Ainda assim, é importante destacar que a redução recente não significa o fim do fenômeno migratório na região. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Roraima segue entre os três estados brasileiros que mais abrigam venezuelanos atualmente, ao lado do Amazonas e de Santa Catarina, somando mais de 100 mil pessoas nessa condição. O estado mantém, além disso, programas sociais próprios voltados a essa população, como o Restaurante Cidadão, que oferece milhares de refeições gratuitas diárias, e o programa Colo de Mãe, direcionado a gestantes em situação de vulnerabilidade.

A combinação entre queda no fluxo de entradas e manutenção de uma população migrante consolidada no estado aponta para um novo momento na relação entre Roraima e a crise venezuelana, marcado menos pela emergência humanitária dos primeiros anos e mais pela consolidação de políticas de acolhimento de médio prazo. O acompanhamento dos próximos meses, especialmente diante da instabilidade política na Venezuela, será decisivo para saber se a tendência de queda se mantém ou se reverte.

Fontes: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social | Revista Cenarium | Correio Braziliense

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