AgroBV 2026 apresentou drones, máquinas inteligentes, automação e energia solar; veja o que essas tecnologias podem representar para Roraima.
A tecnologia deixou de ser uma promessa distante para o agronegócio de Roraima e passou a ocupar espaço cada vez maior nas propriedades próximas de Boa Vista. Essa mudança ficou evidente durante o AgroBV 2026, realizado entre 30 de julho e 2 de agosto no Centro de Difusão Tecnológica, na região do Bom Intento, com demonstrações de drones agrícolas, máquinas inteligentes, sistemas automatizados e soluções de energia solar. O evento reuniu 80 expositores e utilizou uma área de 50 hectares, incluindo 22 hectares destinados à demonstração de variedades agrícolas e técnicas de produção.
Para quem mora na capital, a principal dúvida é o que toda essa tecnologia realmente muda fora da feira. A resposta passa por produtividade, redução de custos, economia de tempo e maior controle das atividades rurais. Como Boa Vista concentra uma parcela expressiva da população de Roraima — estimada pelo IBGE em 485.477 habitantes em 2025 — as transformações no campo também podem repercutir no abastecimento, na geração de renda e na economia local.
Drones e máquinas inteligentes já mudam o trabalho nas propriedades de Roraima
Entre as tecnologias que mais chamaram atenção no AgroBV estão os drones agrícolas. Os equipamentos podem ser empregados em atividades como pulverização, adubação, semeadura e monitoramento das lavouras, permitindo que determinadas tarefas sejam executadas em menos tempo e com maior precisão. Durante o evento, representantes do setor apresentaram exemplos de propriedades em que o uso dos equipamentos reduziu significativamente o período necessário para determinadas operações, uma possibilidade especialmente relevante diante da dificuldade de encontrar mão de obra para algumas atividades rurais.
A Prefeitura de Boa Vista já vinha investindo nessa frente antes mesmo da edição deste ano do evento. Em 2025, o município informou a aquisição de dois drones e a capacitação de técnicos para apoiar agricultores, com utilização dos equipamentos para mapeamento de lavouras, monitoramento de pragas e aplicação localizada de insumos. Na prática, isso mostra que a tecnologia apresentada ao público do AgroBV não está restrita a grandes produtores ou a máquinas expostas em uma feira: ferramentas digitais e equipamentos automatizados também podem integrar políticas de apoio à agricultura familiar.
Outro avanço está nas máquinas capazes de transmitir informações diretamente ao celular do produtor. Uma colheitadeira apresentada no AgroBV, por exemplo, permite acompanhar dados de produtividade, rendimento e perdas em tempo real, inclusive à distância. Esse tipo de recurso transforma o telefone em uma ferramenta de gestão da propriedade, permitindo ao agricultor tomar decisões com base em informações coletadas durante a operação. Para o produtor de Roraima, onde distância e logística podem representar desafios adicionais, acompanhar uma atividade remotamente pode significar mais controle sobre o negócio.
Energia solar e automação podem reduzir custos no campo
A tecnologia mostrada no AgroBV não se limita às máquinas agrícolas. A energia solar também ganhou espaço entre as soluções apresentadas aos produtores e visitantes, principalmente pela possibilidade de gerar eletricidade para propriedades rurais e reduzir despesas no longo prazo. Sistemas de geração própria podem ser utilizados em diferentes estruturas do campo, mas a viabilidade depende das características de cada propriedade, do investimento inicial e do consumo de energia. Por isso, o interesse demonstrado durante a feira deve ser acompanhado de análise técnica e financeira antes de qualquer contratação.
A automação é outro caminho que pode ganhar importância em Roraima. Sensores, sistemas de monitoramento e equipamentos conectados permitem acompanhar determinadas condições da produção e reunir informações que antes dependiam apenas da observação humana. A Embrapa Roraima mantém um portfólio de soluções voltadas a desafios da agricultura, pecuária e uso da floresta, relacionando inovação tecnológica a produtividade e sustentabilidade econômica, social e ambiental. Esse cenário ajuda a explicar por que eventos realizados em Boa Vista podem funcionar como ponte entre pesquisa, empresas, produtores e consumidores.
Para a agricultura familiar, o ponto mais importante é que inovação não significa necessariamente comprar uma máquina de alto valor. A adoção pode começar por ferramentas de gestão, sistemas de irrigação mais eficientes, monitoramento, equipamentos compartilhados ou serviços prestados por empresas especializadas. O próprio AgroBV reservou espaços gratuitos para agricultores familiares comercializarem produtos diretamente ao público, aproximando produtores e consumidores e fortalecendo a circulação de renda dentro da economia local.
O que a tecnologia do AgroBV pode mudar para Boa Vista
O impacto dessas inovações vai além das propriedades rurais porque o campo e a cidade estão ligados pela cadeia de produção e consumo. Quando um agricultor consegue diminuir perdas, economizar tempo ou produzir com maior previsibilidade, o resultado pode refletir no comércio, no transporte, na contratação de serviços e na oferta de alimentos. Em uma capital que concentra cerca de 485 mil habitantes, segundo a estimativa populacional de 2025 do IBGE, qualquer fortalecimento da produção regional pode ter relevância para o funcionamento da economia local.
Também existe um efeito sobre a formação profissional. A expansão de drones, máquinas conectadas, energia solar e automação cria demanda por pessoas capazes de operar equipamentos, interpretar dados e realizar manutenção. Para estudantes e trabalhadores de Boa Vista, isso abre espaço para novas áreas de capacitação ligadas à agricultura de precisão, tecnologia da informação, eletrônica, mecânica e energia. A aproximação entre tecnologia e produção rural pode, portanto, transformar não apenas a forma de plantar e colher, mas também os tipos de conhecimentos valorizados no mercado de trabalho de Roraima.
O desafio agora é fazer com que essas soluções avancem além dos grandes eventos e cheguem de maneira viável aos produtores que realmente precisam delas. Crédito, assistência técnica, capacitação e acesso a equipamentos serão fundamentais para determinar até onde a modernização conseguirá avançar. O AgroBV mostrou que Boa Vista já possui um espaço capaz de aproximar produtores, empresas, instituições e consumidores em torno dessas possibilidades.
Para o boa-vistense, acompanhar essa transformação é importante porque tecnologia no campo pode ter reflexos no cotidiano da cidade. O avanço de drones, automação, máquinas conectadas e energia solar representa uma mudança na maneira como parte da produção rural é planejada e executada em Roraima. Mais do que novidades exibidas em uma feira, essas ferramentas apontam para uma agricultura cada vez mais orientada por dados, eficiência e sustentabilidade. O próximo passo será transformar demonstrações e oportunidades de negócios em soluções acessíveis, capacitação e resultados permanentes para produtores de Boa Vista e de outras regiões do estado.
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