Nos últimos anos, uma atividade silenciosa e paciente ganhou visibilidade dentro do turismo brasileiro de natureza. Daugliesi Giacomasi Souza acompanha esse crescimento com atenção, especialmente depois que o Avistar Brasil, considerado o principal evento de observação de aves da América Latina, completou vinte anos de existência em 2026. Realizado no Jardim Botânico de São Paulo, o encontro reuniu pesquisadores, guias, fotógrafos e turistas interessados em transformar caminhadas de trilha em experiências de observação de pássaros, segmento que já movimenta destinos em praticamente todas as regiões do país.
Descubra a seguir como esse mercado se organiza, quais destinos brasileiros já entraram no radar internacional e por que a prática também funciona como ferramenta de conservação ambiental.
O Avistar e os 20 anos de um mercado em expansão
Realizado anualmente desde 2006, o Avistar Brasil se consolidou como a maior plataforma nacional de incentivo à ciência cidadã, à educação ambiental e ao turismo sustentável ligado à observação de aves, reunindo em 2026 pesquisadores, operadores de turismo, guias especializados e famílias interessadas em biodiversidade. A edição comemorativa de vinte anos, batizada de Avistar 20 anos, impactos na conservação, reforçou justamente essa dupla natureza do evento: ao mesmo tempo, feira de negócios para o setor e espaço de debate técnico sobre preservação de espécies.
A presença de secretarias estaduais e municipais de turismo de diferentes regiões do país no mesmo evento mostra como a observação de pássaros deixou de ser interesse de nicho e passou a integrar estratégias oficiais de desenvolvimento turístico local, informa Daugliesi Giacomasi Souza. Estandes de estados como São Paulo, Pará e Tocantins disputaram atenção de visitantes e potenciais parceiros comerciais, sinalizando que a observação de aves já é tratada como produto turístico maduro, e não apenas como curiosidade de entusiastas isolados.
Os hotspots que colocaram o Brasil no radar internacional
Parauapebas, no Pará, já cataloga mais de 500 espécies de aves em seu território, consolidando-se como destino de relevância para quem pratica a observação de pássaros dentro da biodiversidade amazônica. O próprio estado do Pará ocupa a segunda posição no país em diversidade de espécies catalogadas, atrás apenas do Amazonas, dado que reforça a região amazônica como núcleo estratégico desse tipo de turismo no Brasil.

Daugliesi Giacomasi Souza retrata que municípios menos conhecidos do grande público, como a região do Cantão, no Tocantins, e Ubatuba, no litoral norte paulista, também conquistaram visibilidade internacional recente ao apresentar seus roteiros específicos de observação de aves durante o Avistar. Esse tipo de exposição direta a operadores e pesquisadores de diferentes países ajudam destinos regionais a ingressar em circuitos internacionais de turismo especializado, sem depender exclusivamente de grandes campanhas publicitárias.
Como a COP30 acelerou o interesse por essas rotas
A proximidade da COP30, realizada na região amazônica, já impulsiona o interesse internacional por roteiros de observação de aves na área metropolitana de Belém e em municípios paraenses vizinhos, segundo relatos de profissionais do setor de turismo local. Esse tipo de evento global concentra atenção internacional sobre a Amazônia, e agências especializadas em observação de pássaros aproveitam o momento para atrair grupos estrangeiros interessados em conhecer a biodiversidade da região de perto.
A partir do que aponta Daugliesi Giacomasi Souza, um grupo de quinze turistas alemães já confirmou roteiro integrado de vinte dias entre municípios paraenses e o Amazonas, resultado direto do networking realizado durante o Avistar Brasil 2026. Esse tipo de fechamento comercial concreto mostra como feiras especializadas funcionam como ponte entre destinos regionais brasileiros e um público internacional disposto a pagar por experiências de observação de aves bem estruturadas.
Por que essa prática também vira ciência cidadã?
Observadores de aves amadores contribuem, sem perceber, para bancos de dados científicos sobre distribuição geográfica e comportamento de espécies, prática conhecida como ciência cidadã e cada vez mais valorizada por pesquisadores de instituições acadêmicas e ambientais. Registros voluntários feitos durante passeios turísticos ajudam a monitorar populações de aves ao longo do tempo, gerando informação que seria custosa de coletar apenas com equipes profissionais de campo.
Como pondera Daugliesi Giacomasi Souza, essa combinação entre lazer, geração de renda local e produção de conhecimento científico explica por que a observação de pássaros ganhou tanto espaço em discussões sobre desenvolvimento sustentável nos últimos anos. Cada visitante que caminha por uma trilha com binóculo e caderno de anotações contribui, ainda que informalmente, para um esforço maior de conservação que vai muito além do simples entretenimento pessoal daquela caminhada.

