Em 12 de outubro, além do Dia das Crianças e do feriado de Nossa Senhora Aparecida, o Brasil celebra o Dia do Engenheiro Agrônomo. Na compreensão de Alfredo Moreira Filho, premiado pelo CREA/AM como Engenheiro do Ano do Amazonas e hoje empresário em Brasília, a data merece mais atenção do que recebe, porque conta a história de uma profissão diretamente ligada ao que chega à mesa de todos os brasileiros.
Pouca gente sabe por que a comemoração caiu justamente nesse dia, nem o quanto a agronomia mudou o país desde então. Conhecer essa trajetória ajuda a entender o peso da profissão no presente e os desafios que ela tem pela frente. Continue a leitura e descubra o que está por trás do 12 de outubro.
Por que a data é 12 de outubro?
A escolha remete à regulamentação da profissão. Foi em um 12 de outubro, há mais de nove décadas, que um decreto presidencial estabeleceu as regras para o exercício da agronomia no Brasil, e a categoria passou a adotar esse dia como sua data comemorativa. Antes disso, o agrônomo já atuava no campo, mas sem reconhecimento legal claro sobre suas atribuições.
Há ainda um detalhe histórico curioso. A agronomia foi a primeira profissão regulamentada entre as que hoje integram o sistema Confea/Crea, e sua regulamentação antecedeu em cerca de dois meses a própria criação desse sistema de conselhos. Alfredo Moreira Filho visualiza nesse pioneirismo um sinal de como o país, ainda essencialmente agrícola, precisava organizar quem cuidava da produção de alimentos.
O que mudou desde a regulamentação?
Na época em que a profissão foi regulamentada, o Brasil exportava basicamente café e importava parte dos alimentos que consumia. O cenário se transformou com a pesquisa agropecuária, a correção dos solos ácidos do Cerrado e a adaptação de culturas de clima temperado às condições tropicais, trabalho em que os agrônomos tiveram papel central.

Os números mostram a dimensão dessa mudança. Segundo a Conab, o país colheu 180 milhões de toneladas de soja na safra mais recente, em uma área próxima de 48 milhões de hectares. Conforme dados citados pelo Confea, em pouco mais de duas décadas a produção agrícola brasileira cresceu 120%, enquanto a área ocupada aumentou apenas 50%. Esse ganho de produtividade, na avaliação de Alfredo Moreira, é o maior legado técnico da profissão.
Uma formação de amplo alcance
Parte dessa contribuição se explica pela amplitude da formação. O curso de agronomia tem duração de cinco anos e reúne conhecimentos de solos, fitotecnia, engenharia rural e meio ambiente. Com essa base, o agrônomo pode atuar da assistência técnica ao produtor até a pesquisa científica, passando por crédito rural, construções rurais, políticas ambientais e indústria de alimentos.
Para exercer a profissão, porém, não basta o diploma. É obrigatório o registro no CREA do estado, que fiscaliza o exercício profissional de acordo com as normas definidas pelo Confea. Esse vínculo garante que quem assina um projeto ou uma recomendação técnica responda por ela, algo que Alfredo Moreira Filho considera essencial em uma atividade que lida com alimentos, recursos naturais e investimentos expressivos.
Os desafios que a data convida a discutir
Mais do que celebrar conquistas, o 12 de outubro é um bom momento para olhar adiante. Entre os desafios apontados por lideranças da categoria estão aumentar a produção de alimentos com qualidade, conservar as áreas de vegetação nativa e recuperar terras degradadas. São tarefas que exigem conhecimento técnico e capacidade de diálogo com produtores, governos e mercados.
A atualização constante também faz parte da rotina. Novas tecnologias, mudanças climáticas e exigências de rastreabilidade obrigam o profissional a revisar o que aprendeu ao longo da carreira. Para Alfredo Moreira, a data lembra que a agronomia segue sendo uma profissão em construção, e que seu valor está justamente na capacidade de se renovar sem perder o compromisso com o campo.

