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Tecnologia

Brasil aprova guia para orientar uso ético de inteligência artificial em pesquisas com seres humanos

Redação Folha De Boa Vista
Redação Folha De Boa Vista
28/09/2026
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5 Min de leitura
Máquina de escrever antiga com a expressão “AI Ethics” datilografada em uma folha de papel.
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A Instância Nacional de Ética em Pesquisa (Inaep), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, aprovou e disponibilizou um guia para orientar a análise de estudos científicos que utilizam inteligência artificial. A medida foi informada pelo Ministério da Saúde em 25 de setembro de 2026.

Contents
Guia cria referência para análise de riscosMARIAH apoia decisão dos Comitês de ÉticaAplicação inicial terá período de seis mesesProteção de participantes é foco da iniciativa

O documento é direcionado aos Comitês de Ética em Pesquisa e busca oferecer parâmetros para avaliar riscos relacionados ao uso de sistemas de inteligência artificial em pesquisas com seres humanos. Entre os aspectos considerados estão o tratamento de dados, a transparência das ferramentas, a possibilidade de vieses, a representatividade das bases de informação e a manutenção de supervisão humana.

Guia cria referência para análise de riscos

Com a expansão da inteligência artificial na ciência e na saúde, sistemas automatizados podem ser empregados em diferentes etapas de um estudo, como análise de informações, identificação de padrões e apoio a decisões. Nesse contexto, o guia estabelece uma referência para que os comitês examinem de forma mais organizada os possíveis impactos sobre os participantes das pesquisas.

A avaliação deve considerar, por exemplo, a utilização de dados sensíveis e o risco de reidentificação de pessoas. Também entram na análise a presença de populações vulneráveis, a possibilidade de discriminação algorítmica e a validação dos modelos em diferentes contextos sociais e geográficos. A proposta é que o nível de atenção seja proporcional aos riscos associados a cada protocolo.

O material ainda reforça a importância da supervisão humana nas decisões apoiadas por sistemas automatizados. A adoção de uma ferramenta de inteligência artificial, conforme a orientação apresentada, não elimina a responsabilidade de avaliar seus resultados, suas limitações e os efeitos que pode produzir sobre as pessoas envolvidas no estudo.

MARIAH apoia decisão dos Comitês de Ética

O guia apresenta a MARIAH, sigla para Matriz de Avaliação de Risco em Inteligência Artificial em Pesquisa com Seres Humanos. A ferramenta foi desenvolvida para auxiliar na identificação, na classificação e na documentação dos riscos associados ao emprego de IA em pesquisas.

De acordo com o guia técnico da MARIAH, a matriz possui duas versões. Uma delas é qualitativa e funciona por meio de um fluxograma. A outra é quantitativa e utiliza um sistema de pontuação para apoiar a avaliação dos riscos identificados no estudo.

A matriz não substitui a análise dos Comitês de Ética em Pesquisa e não aprova ou rejeita protocolos automaticamente. Seu papel é fornecer subsídios para a deliberação, tornando o processo mais estruturado, rastreável e compatível com as características de cada pesquisa.

Aplicação inicial terá período de seis meses

A aplicação inicial da ferramenta ocorrerá durante um período de seis meses, paralelamente a uma consulta à sociedade. Essa etapa permitirá reunir informações sobre a utilidade e a adequação das orientações apresentadas no guia e da própria matriz.

Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa não cria novas obrigações normativas. O objetivo é apoiar o trabalho dos comitês diante de estudos que utilizem inteligência artificial, oferecendo uma metodologia para registrar os riscos e organizar os elementos considerados durante a análise ética.

As orientações têm alcance nacional e podem ser relevantes para universidades, hospitais, centros de pesquisa e demais instituições que desenvolvam estudos com participantes humanos. Embora o anúncio tenha sido feito pelo governo federal, a aplicação das referências poderá interessar a instituições de diferentes estados, inclusive aquelas que realizam pesquisas relacionadas à saúde e à tecnologia em Roraima.

Proteção de participantes é foco da iniciativa

A aprovação do guia ocorre em um cenário de avanço de ferramentas capazes de processar grandes volumes de informação e apoiar atividades científicas. Esse potencial amplia a necessidade de verificar a origem e a qualidade dos dados, os critérios empregados pelos modelos e a forma como seus resultados serão interpretados pelos pesquisadores.

Ao concentrar a análise em transparência, representatividade, vieses, privacidade e supervisão humana, a Inaep busca fortalecer a proteção dos participantes de pesquisas. A MARIAH, nesse processo, funciona como instrumento de apoio para que os comitês documentem suas avaliações e considerem os riscos de maneira proporcional ao uso da inteligência artificial em cada estudo.

A consulta prevista para os seis meses de aplicação deverá contribuir para avaliar como o guia e a matriz são utilizados na prática. A iniciativa também abre espaço para aperfeiçoar as orientações a partir das necessidades identificadas por pesquisadores, instituições e integrantes do sistema de ética em pesquisa.

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