Estudos recentes sobre maturidade digital mostram que a maior parte das empresas já reúne um volume expressivo de dados, mas apenas uma fração consegue transformar esse volume em decisão prática. Sistemas de gestão, plataformas de atendimento e ferramentas de automação produzem informação o tempo todo, sem que exista, na maioria dos casos, um processo claro para organizá-la, cruzá-la e colocá-la à disposição de quem precisa decidir.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO, indica que essa contradição é comum: empresas acumulam dados de sobra e gestores que, na prática, ainda decidem por percepção. Fechar essa distância exige menos ferramenta nova e mais método, começando por entender onde a informação se perde antes de chegar a quem realmente precisa dela para agir.
Por que dados dispersos não geram decisão estratégica?
O problema raramente está na falta de dado, e sim na fragmentação entre sistemas que não conversam entre si. Um relatório de vendas, um painel financeiro e um cadastro de clientes podem descrever a mesma operação de formas diferentes, e cada área acaba defendendo sua própria versão da realidade, mesmo quando todos partem, em teoria, da mesma base de informações.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia, destaca que essa fragmentação custa tempo: reuniões inteiras se perdem tentando reconciliar números antes de discutir o que fazer com eles. Enquanto a base não é única e confiável, decisões acabam pendendo para quem apresenta o argumento mais convincente, e não para quem tem o dado mais preciso.
Como organizar a base antes de qualquer análise?
Antes de pensar em painéis sofisticados, a empresa precisa definir quem é dono de cada dado, com que frequência ele é atualizado e qual critério de qualidade ele precisa cumprir. Sem essas regras, a organização coleciona planilhas paralelas em vez de construir uma fonte confiável, e cada área acaba criando seu próprio jeito de registrar a mesma informação.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, especialista em tecnologia, software e inteligência artificial, avalia que essa etapa costuma ser subestimada porque não produz resultado visível de imediato, ainda que sustente qualquer análise construída depois. É como uma fundação mal feita: o problema só aparece quando algo é erguido em cima dela.

Passos para transformar indicadores em decisões do dia a dia
Com a base organizada, o próximo passo é escolher poucos indicadores realmente ligados aos objetivos do negócio, em vez de acompanhar dezenas de métricas que não geram ação nenhuma. Cada indicador precisa responder a uma pergunta concreta: o que muda na operação quando esse número sobe ou cai. Levar esses indicadores para perto de quem decide no dia a dia, e não só para a diretoria, também faz diferença.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO, observa que vale revisar os indicadores periodicamente, pois um número que fazia sentido no início de um projeto pode perder relevância conforme a operação muda. Empresas maduras nesse tema têm coragem de aposentar métricas ultrapassadas, mantendo o painel enxuto e realmente útil para quem decide.
O que muda quando dados guiam a estratégia, não apenas relatórios?
A diferença entre usar dados para justificar decisões já tomadas e usar dados para tomá-las é sutil no discurso, mas enorme na prática. No primeiro caso, o corte de um investimento nasce de outros motivos, e o relatório só aparece depois para sustentar o que já foi decidido. No segundo, é o painel que mostra a queda de margem antes de qualquer decisão, e esse sinal é que abre a discussão.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira nota que essa mudança não elimina a experiência de quem lidera, apenas reduz a dependência exclusiva dela. A decisão continua sendo humana; o que muda é a qualidade da informação que chega às mãos de quem decide, e isso, com o tempo, se torna a diferença entre reagir ao mercado e antecipá-lo, ganhando margem para corrigir rota antes que o problema apareça no resultado final.

